PANORAMA | A Revolta da Inteligência, por Manoel Carlos Rubira

Há duas espécies de revolta: a revolta violenta, que é mera reação, sem inteligência, contra a ordem vigente, e a profunda revolta psicológica da inteligência. Muitos se revoltam contra velhas ortodoxias só para caírem em outras novas, em novas ilusões e secretas concessões aos próprios apetites. O que em geral acontece é que nos desligamos de um grupo ou conjunto de ideais e ingressamos noutro grupo, adotamos outros ideais, criando novo padrão de pensamento contra o qual nos revoltamos outra vez. Toda reação gera oposição, e toda reforma cria a necessidade de novas reformas.

– Krishnamurti

Vamos ser sinceros e falar e ouvir verdades? Já é momento para você se descobrir, se autoconhecer ou você prefere continuar onde está, gastando o tempo, jogando conversa fora, em sua rotina diária de desespero silencioso?

Tudo nasce na primeira mentira, o eu condicionado. Começamos a ser condicionados assim que nascemos. Condicionados pelos nossos pais e pela cultura. Vivemos em uma sociedade medíocre, e a educação que recebemos se resume a um treinamento para viver nessa sociedade. Esse treinamento erroneamente chamado “educação” leva à padronização do ser humano. A padronização leva à mediocridade. Não há na educação convencional estímulo suficiente ao desenvolvimento da inteligência que leve o ser humano a questionar a própria existência e evoluir; ao contrário, ela conduz ao uso da inteligência superficial, mecânica, que é o próprio embotamento mental.

O primeiro passo desse processo se inicia quando se promove na criança a insegurança e a dependência pela negação do amor. A partir daí é instalado o programa “como viver em sociedade sem questionar o sistema”. Em função disso a criança dependente vai se tornar um adulto medíocre, quase sempre ajustado ao sistema, em permanente busca de segurança e conforto.

O mercado oferece todo o tipo de narcotização, através das mídias, da alimentação e de drogas legais para que as pessoas aceitem e se conformem com esse modo de vida. Os poucos que não se conformam a essa vida insatisfatória e repleta de injustiça buscam uma saída através da revolta.

Há a revolta violenta que é mera reação inconsciente, através do crime e do banditismo, que promove muito sofrimento, mas deixa intocada a classe que detém o poder; e a revolta política mais inteligente e organizada, que quer implantar algo novo usando a velha inteligência. É o caso dos regimes opressores de esquerda, tão violentos quanto os regimes opressores de direita.

Essa constatação leva os conformados que vivem em relativa zona de conforto a dizerem aos inconformados que buscam a justiça para todos: “a sua revolta não vai dar em nada, a vida é assim mesmo, sempre foi e sempre será assim”, perpetuando a vida insatisfatória e predatória da natureza, que levará ao consumismo e ao egoísmo exagerado à destruição do planeta, isto é, ao fim de todos nós.”

Mas há a única revolução possível, a revolução da inteligência, que é a desprogramação mental do velho sistema instalado na infância. A verdadeira educação que propicia ao ser humano a liberdade de ser o que é, promovendo sua vocação e suas habilidades, libertando o ser humano das garras da vida medíocre, voltada ao trabalho alienado e ao consumo exagerado e predatório das relações e da natureza como objetivo de vida.

foto: Sinestesia
foto: Sinestesia

Manoel Carlos Rubira | autor do livro “Conexão natural com a vida – práticas de retorno ao eu verdadeiro”, professor, escritor, palestrante e estudioso da mente e da Consciência.

Projeto Sinestesia | Nossa filosofia consiste em retratar sua essência, suas histórias embaladas de lugares, sensações, sentimentos. Como? Algum lugar que te lembre algo, que signifique algo pra você. Imagens que lhe representam, sendo projetadas. Aqui no #Sinestesia você vai encontrar EXISTÊNCIA. Integram o projeto: Isabelle Santiago e Natália Regina. www.facebook.com/sinesstesia